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EC News #8 — 23 de outubro de 2026

Boas-vindas à edição #8 do EC News. A semana foi de letras por toda parte, prédios feitos sob medida para uma única obra e ferramentas de ponta ficando mais baratas — ou de graça. Reunimos quinze histórias de arte, criatividade, design, comunicação e tecnologia para você entender o que está rolando e, principalmente, por que isso importa para quem está começando ou crescendo na área.

01

Arte

Pavilhão Anselm Kiefer de David Chipperfield Architects
Arte

Um prédio inteiro para abrigar um único quadro

Na cidade alemã de Künzelsau, o escritório David Chipperfield Architects ergueu um pavilhão de concreto só para uma obra. O quadro é Schwarze Flocken (“Flocos Negros”), de Anselm Kiefer, com 11 por 7 metros — grande demais para o museu que fica ao lado. A pintura leva o nome de um poema de Paul Celan, sobrevivente do Holocausto, e nunca tinha sido mostrada ao público.

O bloco é feito de tijolo e concreto trabalhado à mão, com paredes de barro e telhado de madeira aparente. Claraboias deixam a luz do dia mudar ao longo das horas e das estações, sem ar-condicionado pesado. Para quem está começando, é um lembrete poderoso: arquitetura e arte conversam. Pensar o espaço onde uma obra vai ser vista já faz parte do projeto.

Estude na EscolaCasaProjetar o espaço certo para cada obra é parte do ofício — algo que você treina em Arquitetura e Interiores ↗.

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Catálogo de arte narrativa da Taschen com o Museu Lucas
Arte

Das cavernas a Star Wars: a arte que conta histórias

A editora Taschen preparou, com George Lucas e o Museu de Arte Narrativa de Los Angeles, um catálogo em dois volumes sobre imagens que contam histórias. O texto é de Ryan Linkof, curador do museu, que defende uma ideia simples: imagens narrativas ajudam as pessoas a compartilhar crenças, da religião à vida em família. A seleção vai de pinturas rupestres pré-históricas a capas de revista, quadrinhos e livros infantis.

Entram nomes como Norman Rockwell, Jack Kirby (criador do Capitão América) e Frank Frazetta. Linkof chega a tratar Star Wars como um mito de herói moderno. Para quem desenha ou ilustra, a mensagem anima: contar história com imagem é uma tradição antiga e nobre — e cabe nela tanto a arte “séria” quanto a cultura pop que você ama.

Estude na EscolaCasaSe contar histórias com imagens te interessa, esse é o terreno da Narrativa Visual ↗.

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Capa do livro All Work is Women's Work
Arte

O livro que resgata a história das costureiras de Amsterdã

A pesquisadora Hanka van der Voet lançou All Work is Women’s Work, livro sobre o Sindicato das Costureiras, um dos primeiros sindicatos só de mulheres da Holanda. No começo do século 20, elas usavam a imprensa — jornais e panfletos — para enfrentar patrões e desigualdades. Van der Voet achou a história num catálogo esquecido dos anos 1970 e notou que Amsterdã “quase não guarda marca” desse passado.

O projeto traz um ensaio, um mapa dos ateliês de costura e adesivos para o leitor marcar locais de exploração. Detalhe bonito: todas as fontes tipográficas (os desenhos das letras) foram feitas por mulheres, uma resposta à exclusão histórica delas da tipografia. Para quem começa, mostra como design e pesquisa podem dar voz a histórias que quase se perderam.

Estude na EscolaCasaDesenhar letras com intenção é o coração da Tipografia ↗.

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02

Criatividade

Animação com matéria orgânica de Nik Arthur
Criatividade

Animação feita de lama, lã e luz de verdade

O animador canadense Nik Arthur não usa só o computador: ele cria com matéria orgânica — lã, sementes de girassol, fogo e água. Para uma vinheta da produtora A24, ele e Emi Takahashi usaram lentilha-d’água (uma plantinha de brejo) tirada de um pântano em Montreal, filmando tudo de trás para frente. Ele compara o trabalho mais a efeitos práticos do que a animação comum.

Arthur chama seu método de “ecossistema natural de ideias” e já animou logos e um trecho para o rapper J. Cole. Ele enxerga o material como um parceiro, não como algo a controlar. Para quem está começando, é um convite: criatividade não depende só de software caro. Observar a natureza e experimentar com as mãos também é técnica.

Estude na EscolaCasaEsse jeito de experimentar sem medo é o que a gente destrava no Processo Criativo ↗.

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A Book for Making Books, de Carolina Incerti
Criatividade

Um livro feito para ser rasgado e virar outros livros

A designer Carolina Incerti criou A Book for Making Books, um guia de autopublicação que não se lê sentado: ele se corta, dobra e rasga, virando oito modelos de zines e livrinhos. (Zine é uma publicação independente, caseira, feita em pouca tiragem.) A ideia nasceu do mestrado dela na Noruega e de um clube semanal onde as pessoas faziam livros juntas.

Em vez de uma receita escrita, o guia ensina fazendo — como “traduzir um tutorial de vídeo para o papel”. O visual lembra playground, com cores primárias e uma fonte que imita letra de criança. Incerti queria que ele parecesse “um professor primário amigo e confiável”. Para quem começa, prova que publicar o próprio trabalho pode ser simples, barato e divertido.

Estude na EscolaCasaMontar páginas que funcionam no papel é o que se aprende em Composição Gráfica ↗.

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Dictionary of the Illegible, da Source Type
Criatividade

Um dicionário das letras que ninguém consegue ler

O estúdio Source Type, de Zurique, lançou o Dictionary of the Illegible (“Dicionário do Ilegível”), um livro que cataloga tipografia impossível de ler — de logos de bandas de metal aos símbolos usados para xingar em quadrinhos. Organizado de A a Z, ele cruza coisas improváveis, como uma gravura de Albrecht Dürer do século 16 ao lado de uma cena de Family Guy.

Para o diretor Laurenz Brunner, o ilegível também protege: esconde informação e resiste à vigilância das máquinas. Ele cita o designer David Carson: “não confunda legibilidade com comunicação”. Para quem aprende tipografia, é libertador. Nem toda letra precisa ser clara para funcionar — às vezes a emoção e a atitude comunicam mais do que a leitura fácil.

Estude na EscolaCasaEntender quando quebrar as regras vem depois de dominá-las no Design Gráfico ↗.

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03

Design

Nova identidade visual do Fulham Football Club
Design

A nova marca do Fulham nasceu nas paredes do estádio

O clube inglês Fulham ganhou uma identidade visual nova, criada pela agência Music com a fundição de fontes F37. (Identidade visual é o conjunto de logo, cores e letras que fazem uma marca ser reconhecida.) O centro de tudo é uma fonte sob medida, a FFC Original, baseada em letras pintadas à mão encontradas dentro de Craven Cottage — segundo a reportagem, o estádio de futebol mais antigo de Londres.

“Craven Cottage nos deu a resposta”, disse Dave Simpson, diretor da Music. A nova cara liga os mais de 145 anos de história do clube a um visual pronto para telas e redes. Para quem quer trabalhar com marcas, a lição vale ouro: boas ideias raramente caem do céu. Muitas vezes a resposta está escondida na própria história do cliente.

Estude na EscolaCasaConstruir marcas com história e personalidade é o tema do Design de Marcas ↗.

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Palácio da Justiça de Lille, da OMA, em vidro colorido
Design

Um tribunal de vidro colorido no norte da França

O escritório holandês OMA concluiu o Palácio da Justiça de Lille, um fórum de seis lados que abriga os tribunais da cidade. Cada fachada é revestida de vidro colorido, que espelha uma fortaleza em forma de estrela construída ali perto em 1667. Por dentro, três volumes se encaixam: a base com as grandes salas de audiência, uma torre central triangular e um anel de escritórios que puxa luz natural.

A intenção, dizem os arquitetos, era deixar o prédio “livre da intimidação” que a justiça costuma passar, com acabamentos claros unindo os ambientes. Para quem começa em design ou arquitetura, é um bom estudo de cor: o vidro colorido não é enfeite — é o que conecta o prédio novo à paisagem histórica ao redor.

Estude na EscolaCasaUsar cor com propósito, e não por acaso, é o que você treina em Teoria das Cores ↗.

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Mostra Designers of Tomorrow, da Apple, em Paris
Design

Móveis feitos de achados de calçada e papel de bananeira

Em Paris, a Apple abriu a mostra Designers of Tomorrow (“Designers do Amanhã”), dentro da feira Design Miami.Paris, de 21 a 25 de outubro. Quatro designers em início de carreira apresentam móveis e luminárias. Isabel Rower fez uma cadeira com peças achadas na calçada perto do seu ateliê no Brooklyn, cobertas de papel machê e 1.500 contas de cerâmica feitas à mão.

Já Salem Charabi criou uma luminária com tâmara de Saqqara, calcário das montanhas Galala e papel feito de caule de bananeira, do Egito. Yoonjeong Lee empilhou cerca de 5.000 camadas de madeira numa só peça. Para quem está chegando agora, é inspirador: material humilde e reaproveitado pode virar design de ponta — o que conta é a ideia e o cuidado na execução.

Estude na EscolaCasaPensar objetos, materiais e ambientes é o universo do Design de Interiores ↗.

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04

Comunicação

Campanha Ferreira Vs. Ferreira, da Ford
Comunicação

A Ford põe dois irmãos surfistas para disputar no asfalto e na terra

A Ford lançou no Brasil a campanha “Ferreira Vs. Ferreira”, criada pela agência VML. Ela junta os irmãos surfistas Rafaela e Ítalo Ferreira num desafio: ela encara o asfalto com o Mustang Dark Horse, ele enfrenta um trajeto fora de estrada com a picape Ranger Raptor. É publicidade que usa rostos conhecidos e uma rivalidade divertida para mostrar dois produtos ao mesmo tempo.

A peça apareceu no Meio & Mensagem, site que reúne as campanhas da semana no mercado brasileiro. Para quem sonha com publicidade ou direção criativa, vale observar a estrutura: um conflito simples (irmã contra irmão), duas cenas que se completam e produtos que ganham personalidade. Boa propaganda quase sempre conta uma historinha antes de vender.

Estude na EscolaCasaPlanejar mensagens que convencem começa em Marketing e Comunicação ↗.

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Comunicação

A propaganda que O Boticário fez para você assistir em 2x

O Boticário lançou a linha Cuide-se Bem Acerola com um filme pensado para ser visto em velocidade acelerada, no embalo do hit dos anos 2000 “Pump It Up”. A criação é da AlmapBBDO com a SoWhat. A ideia conversa direto com o jeito como a gente consome vídeo hoje: correndo, pulando e assistindo em 2x nas redes.

Em vez de brigar contra esse hábito, a marca brincou com ele — e transformou a pressa num trunfo criativo. Para quem quer trabalhar com conteúdo e redes sociais, é uma aula de atenção ao comportamento do público. Entender como as pessoas assistem é tão importante quanto o que você mostra na tela.

Estude na EscolaCasaCriar para o jeito real de consumir conteúdo é o foco da Produção de Conteúdo ↗.

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Identidade da produtora To Be Formed, feita pelo estúdio Day Job
Comunicação

A marca com o “caos” embutido de propósito

O estúdio Day Job, de Los Angeles, criou a identidade da produtora To Be Formed, do cineasta Lance Oppenheim. O pedido era curioso: algo “que você não consegue definir direito”, combinando com filmes que vivem entre ficção e realidade. O logo principal mistura letras grossas com traços finos e caligráficos de alturas diferentes.

Mais ousado ainda: o estúdio fez cerca de 20 logos secundários, muitos tirando sarro de grandes empresas de mídia, que a produtora pode trocar quando quiser. O site usa lembranças de filmes como menu e tem cara de internet dos anos 2000. Para quem começa em branding, mostra que identidade não precisa ser rígida — ela pode ser viva, bem-humorada e cheia de personalidade.

Estude na EscolaCasaDar unidade e atitude a um projeto é o trabalho da Direção de Arte ↗.

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05

Tecnologia

Campanha Free Form da Affinity e Cavalry
Tecnologia

Dois programas de design profissionais agora são de graça

O site It’s Nice That noticiou que o Affinity e o Cavalry, ambos da plataforma Canva, podem ser baixados sem custo. O Affinity junta desenho vetorial (imagens que não perdem qualidade ao ampliar), edição de fotos e diagramação num app só. O Cavalry cuida de animação 2D e motion design (gráficos em movimento, tipo vinhetas e títulos animados).

Para marcar a novidade, dois designers criaram pôsteres e kits gratuitos com texturas, padrões e arquivos editáveis. A ideia é derrubar a barreira do dinheiro: dá para testar ferramenta profissional sem as mensalidades caras de sempre. Para quem está começando, é uma chance rara — experimentar software de ponta sem gastar nada e montar portfólio com qualidade.

Estude na EscolaCasaPara dominar os dois pilares do design digital, comece em Photoshop e Illustrator ↗.

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Modelo de imagem FLUX 3, da Black Forest Labs
Tecnologia

Uma IA que edita imagem sem estragar o resto da foto

A Black Forest Labs, empresa alemã de inteligência artificial, colocou no ar o FLUX 3 Image, um modelo que gera e edita imagens. O diferencial é o controle: dá para fazer mudanças passo a passo mantendo o resto da imagem intacto, usar até dez imagens de referência e chegar à resolução 4K. Nesta semana, o modelo ganhou suporte imediato nos PCs locais que a Nvidia apresentou em Berlim.

Vem aí também uma versão de “pesos abertos” (quando a empresa libera o miolo do modelo para outras pessoas rodarem e ajustarem por conta própria). Para quem cresce na área criativa, vale acompanhar com calma: ferramentas de IA estão virando parte do fluxo de trabalho, mas rendem mais na mão de quem já entende composição, cor e enquadramento.

Estude na EscolaCasaPara entender como a IA entra no trabalho criativo, veja Tecnologia e Inovação ↗.

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Sora, a IA de vídeo da OpenAI
Tecnologia

A IA de vídeo da OpenAI pode virar ferramenta de cinema

Segundo o site The Information, a OpenAI estaria negociando dar acesso ao Sora — sua IA que cria vídeos a partir de texto — a uma nova empresa voltada ao cinema. Entre os fundadores estão o produtor de Hollywood Jeffrey Katzenberg e Bill Peebles, ex-líder de pesquisa do próprio Sora. A ideia seria adaptar o modelo para montar softwares e serviços sob medida para o audiovisual.

A OpenAI chegou a anunciar, em março, que encerraria o Sora, então o movimento soa como uma segunda chance. Nada está fechado ainda. Para quem quer trabalhar com vídeo, o recado é ficar de olho: a IA não substitui o olhar de quem dirige e edita, mas pode virar mais uma ferramenta no kit de quem sabe contar histórias em movimento.

Estude na EscolaCasaContar histórias em vídeo, com ou sem IA, é o que você pratica no Video Maker ↗.

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Para testar

Photopea

Um editor de imagens que roda direto no navegador, de graça e sem instalar nada — com uma cara bem parecida com a do Photoshop. Ele abre arquivos PSD, faz montagem, ajusta foto e exporta em vários formatos. É um jeito tranquilo de praticar edição enquanto você ainda não quer (ou não pode) pagar por um programa pago. photopea.com ↗

🏠 Da EscolaCasa

Teve letra por todo lado nesta semana: tipos achados na parede de um estádio, um dicionário do ilegível e fontes desenhadas por mulheres. Reparar nas letras é um jeito simples de treinar o olhar — e é desse tipo de atenção que a gente gosta de falar por aqui. Se bateu a curiosidade, pode ser um bom momento para começar.

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EC News · Edição #8 · 23 de outubro de 2026 · Um apanhado semanal da EscolaCasa sobre arte, criatividade, design, comunicação e tecnologia.

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