Boas-vindas à edição #6 do EC News. A semana foi de feira de arte lotando Londres, novos talentos ganhando os holofotes e ferramentas de IA ficando mais baratas. Separamos 14 histórias para você entender o que está movendo a área — e achar seu próximo passo nela.
Arte
Frieze toma Londres: quase 300 galerias e uma feira que vira escola
De 14 a 18 de outubro, o Regent’s Park, em Londres, recebe as feiras Frieze London e Frieze Masters (grandes feiras de arte onde galerias do mundo todo mostram e vendem obras). Juntas, reúnem quase 300 galerias de 48 países — da contemporânea Gagosian à histórica Hauser & Wirth. Há seções curadas inéditas, como a “The Code Universe”, e esculturas espalhadas pelo parque, de graça, até 1º de novembro.
Um detalhe dá a dimensão do evento: o Scrapbook #68, livro-objeto do artista Shinro Ohtake, tem 722 páginas e pesa 20 kg. Por que isso importa para quem começa ou cresce na área? Feiras assim são aula a céu aberto: você vê de perto o que está em alta, como as obras conversam entre si e como o mercado funciona. Mesmo acompanhando de longe, pela cobertura, dá para treinar o olhar.
Aprofunde-se: Frieze ↗

A antiga sede de Zaha Hadid vira casa pública de arte e design
O prédio onde funcionou por mais de 30 anos o estúdio de Zaha Hadid (1950–2016), arquiteta iraquiano-britânica famosa pelas formas curvas e futuristas, vai abrir ao público. Fica em Clerkenwell, Londres, numa antiga escola vitoriana tombada. A Zaha Hadid Foundation transformou o térreo, reformado pelo estúdio KA, em um polo de arquitetura e design, com galerias, espaço de aprendizado e sala de palestras.
A abertura é em novembro, com um simpósio de dois dias que marca os dez anos da morte da arquiteta. Um detalhe carinhoso: as maçanetas em forma de “Z” que ela desenhou foram preservadas. Por que importa para quem começa ou cresce na área? Espaços assim existem para formar gente: exposições, oficinas e residências são portas de entrada reais para quem quer aprender arquitetura e design na prática.
Aprofunde-se: Dezeen ↗

Teias gigantes e sacolas plásticas: a arte-ciência de Tomás Saraceno
Em Munique, a Haus der Kunst reúne mais de 20 anos de trabalho do argentino Tomás Saraceno na mostra Ancestral Futures (futuros ancestrais), em cartaz até 7 de fevereiro. Ele mistura arte, arquitetura e ciência: há estruturas em forma de teia por onde o público engatinha, caixas com teias feitas por aranhas de verdade e uma caverna inflável de sacolas plásticas movida por gente pedalando bicicletas paradas.
A exposição fala de meio ambiente e da resistência de comunidades indígenas de Salinas Grandes, na Argentina, à mineração de lítio — e empresta cobertores tecidos à mão por onze artesãs. Por que importa para quem começa ou cresce na área? Saraceno mostra que ideia forte vale mais que técnica difícil: dá para unir uma causa, materiais simples e a participação do público e transformar isso em arte que emociona.
Aprofunde-se: Colossal ↗
Criatividade

72 novos talentos para ficar de olho (e se inspirar)
O site It’s Nice That (referência em criatividade) lançou sua lista anual “Ones to Watch”, com 72 criativos de 16 países para acompanhar — a maior edição até hoje. A seleção passa por seis áreas: design gráfico, ilustração, animação, arte, cinema e fotografia. A equipe recebeu cerca do dobro de inscrições em relação a 2025 e avaliou cada uma por qualidade visual, originalidade e repertório de ideias.
Entre os nomes estão Colas Ravey e Sarah Gaveau, com trabalhos reunidos num diretório que dá para filtrar por área. Por que importa para quem começa na área? Essa lista é um mapa: mostra o que está sendo valorizado agora e prova que gente no início de carreira consegue, sim, aparecer. Vale estudar os portfólios e perceber o que faz cada trabalho se destacar.
Aprofunde-se: It’s Nice That ↗

A tipografia que convida você a errar
A designer Laura Pappa criou a fonte Vee pela foundry estoniana Tüpokompanii (foundry = estúdio que desenha e vende fontes). É uma sans serif (letra sem as “sapatinhas” nas pontas) inspirada na Venus, de 1907. O charme está no processo: em vez de corrigir cada imperfeição ao digitalizar os desenhos de Pappa, o estúdio abraçou os “erros” de propósito.
O time chama a Vee de “irmã mais nova e travessa” da Venus, com maiúsculas altas e terminações irregulares que dão um ar feito à mão. O livro que acompanha traz 25 desenhos, como um cavalo torto e três florzinhas alegres. Por que importa para quem começa ou cresce na área? É um lembrete e tanto: dar-se permissão para ser ruim em algo é justamente como a gente aprende. O “imperfeito” costuma ter mais personalidade que o certinho.
Aprofunde-se: It’s Nice That ↗

Quadrinhos que tentam desenhar a memória
O ilustrador e escritor londrino William Goldsmith faz histórias em quadrinhos cheias de cor e personagens. O tema é sempre a memória: ele usa repetição, camadas e abstração para mostrar como as lembranças são escorregadias. Por isso trabalha em formatos sequenciais — quadrinhos, zines e livros (zine = publicação independente, em geral artesanal).
Seu quadrinho recente, The Suitcase, saiu em quatro cores de risografia (impressão de cores chapadas e textura marcante) numa tiragem de só 100 cópias, passeando por memórias de Atenas, Glasgow e Moscou. Ele não busca realismo: quer que os personagens pareçam “pessoas reais que encontrei”. Por que importa para quem começa ou cresce na área? Goldsmith mostra que uma obsessão pessoal — aqui, a memória — pode virar a espinha dorsal de um trabalho autoral e reconhecível.
Aprofunde-se: It’s Nice That ↗
Design

Victoria Beckham estreia no mundo da casa
A estilista Victoria Beckham lançou sua primeira coleção de objetos para casa, feita com a plataforma Westwing. São louças, têxteis e peças decorativas que trazem o mesmo cuidado de moda da marca que ela fundou em 2008. A inspiração vem do movimento Arts and Crafts do século 19 (corrente que valorizava o feito à mão e as formas da natureza), com formas orgânicas e materiais sóbrios.
Há manteigueiras e saleiros em formato sutil de concha, talheres martelados e pratos com relevo de escamas em porcelana e vidro, além de detalhes em corrente que lembram joias. Por que importa para quem começa ou cresce na área? É um ótimo estudo de identidade: a mesma assinatura visual — materiais, formas, embalagem verde sob medida — atravessa roupa e objeto. Marca forte é coerência, não só um logo.
Aprofunde-se: Dezeen ↗

A Pentagram dá cara retrô-futurista a uma gigante dos games
A Xsolla é uma empresa de pagamentos para o mercado de games (atua no B2B, ou seja, vende para outras empresas, não para o consumidor final). Os sócios Luke Powell e Jody Hudson-Powell, da lendária Pentagram (um dos estúdios de design mais respeitados do mundo), criaram sua nova identidade visual. O conceito é o “Xsolla Archive”, um lugar imaginário onde ficam guardados todos os artefatos dos jogos.
O visual é retrô-futurista, com objetos em 3D, um mascote-estrela chamado Sol e caixas de vidro que organizam tudo — até a interface imita essas caixas. A dupla evitou estilos muito datados, para a marca não envelhecer rápido. Por que importa para quem começa ou cresce na área? É uma aula de branding: boa identidade não é só um símbolo bonito, é um sistema com história e regras que faz tudo parecer da mesma família.
Aprofunde-se: It’s Nice That ↗

A Jaguar reinicia e mostra seu primeiro carro depois da polêmica
A Jaguar apresentou em Nova York o Type 01, um carro elétrico de quatro portas. É o primeiro modelo do que a marca chama de “reinício completo”, depois de um rebranding (reformulação da identidade visual) muito criticado em 2024. O carro tem carroceria de alumínio, capô longo, faróis finos e nenhum vidro traseiro — o motorista enxerga por câmeras.
São 1.000 cavalos, 0 a 100 km/h em cerca de 3,2 segundos e detalhes caprichados, como estofado de lã Kvadrat em vários tons e um painel traseiro que programas de computador diziam ser “impossível” de estampar. Por que importa para quem começa ou cresce na área? Mostra como design vira notícia e identidade de marca: cada escolha de forma, cor e material conta uma história e provoca reação — inclusive quando divide opiniões.
Aprofunde-se: Dezeen ↗
Comunicação

O Twix inventou uma data: chega o “Hallowmas”
A Twix trouxe de volta seu personagem Zombie Claus (um Papai Noel zumbi) para a segunda edição do “Hallowmas”, uma data inventada pela marca que mistura Halloween e Natal numa coisa só. A sacada conversa com o mote da marca, “dois é mais que um” — a mesma lógica das duas barrinhas do chocolate. A criação é da agência Adam&eve/TBWA.
No filme principal, o Zombie Claus chega gritando “Feliz Hallowmas” na casa de uma adolescente, que pergunta se deve ficar “alegre ou aterrorizada”. A ação termina no Halloween, com distribuição de Twix no Brooklyn e um concurso de US$ 20 mil para a melhor fantasia. Por que importa para quem começa ou cresce na área? É comunicação de marca em estado puro: criar um território próprio (uma data, um personagem) rende mais do que só anunciar um produto.
Aprofunde-se: Adweek ↗

Sigourney Weaver narra um “documentário” sobre humanos no sofá
A Asics lançou Human Nature, um documentário satírico de 10 minutos, às vésperas do Dia Mundial da Saúde Mental (10 de outubro). Com narração de Sigourney Weaver, o filme começa como um episódio de “Planeta Terra”, mas, em vez de animais, acompanha humanos parados: Janet, presa em reuniões por vídeo; Hannah, em maratonas de streaming; e Minato, perdido na rolagem infinita do celular.
A criação é da Golin Ketchum London, e o tom é de piada com fundo sério: mexer o corpo todo dia faz bem à cabeça e ao corpo. Um dado embasa tudo: 53% dos adultos não se exercitam o recomendado. Por que importa para quem começa ou cresce na área? É um exemplo de como humor e um bom roteiro transformam uma causa (saúde e bem-estar) em algo que as pessoas querem assistir e compartilhar.
Aprofunde-se: Adweek ↗

Só mãos em cena: a nova campanha da Oura
A Oura, marca finlandesa do anel inteligente que mede sono e outros sinais do corpo, lançou o filme Wear Your Best Life. A ideia é mudar o discurso: bem-estar não é só bater recorde pessoal. Cada pessoa tem um objetivo diferente — dormir melhor, cuidar de uma condição crônica ou, sim, buscar o próprio limite.
Para mostrar isso sem rostos, o filme usa só mãos — correndo no parque, esperando o metrô, relaxando na piscina — numa minicidade construída à mão em escala 1:10, com coreografia dos gestos. A criação é da agência Nice&Frank. Por que importa para quem começa ou cresce na área? É uma lição de direção de arte e conceito: uma boa restrição (mostrar só as mãos) pode deixar a mensagem mais forte e original do que o caminho óbvio.
Aprofunde-se: Adweek ↗
Tecnologia

O gerador de imagens do Google ficou melhor e mais barato
O Google lançou em 6 de outubro o Nano Banana 2.1, nova versão do seu modelo de geração e edição de imagens por IA, dentro do app Gemini e de outras ferramentas. Ele cria imagens a partir de texto e permite ir ajustando por conversa: você pede uma mudança, depois outra, sem precisar reescrever tudo do zero.
O preço da imagem gerada caiu cerca de metade, e o modelo ficou melhor em manter um mesmo rosto, produto ou logotipo iguais em várias edições — além de render texto mais nítido e saídas em até 4K. Por que importa para quem começa ou cresce na área? Ferramentas de IA estão virando parte do kit criativo. Saber usá-las com critério — e com repertório de design — é o que separa um resultado genérico de um trabalho com intenção.
Aprofunde-se: Tech Insider ↗

A OpenAI quer abrir uma loja de apps — e chamou Adobe e Figma
No fim de setembro, a OpenAI (dona do ChatGPT) fez seu evento anual para desenvolvedores e anunciou mais de vinte novidades. Entre elas, um “Marketplace” (uma espécie de loja de aplicativos dentro do ChatGPT) com 32 parceiros, incluindo gigantes criativas como Adobe e Figma. Também chegou o ChatGPT Space, um espaço compartilhado onde pessoas e IA editam documentos juntas.
A ideia é que agentes (assistentes que executam tarefas sozinhos, não só respondem) conectem o ChatGPT a milhares de apps. Por que importa para quem começa ou cresce na área? O trabalho criativo está cada vez mais perto dessas plataformas. Entender para onde ferramentas como Figma e Adobe estão indo ajuda você a se preparar — e a não ser pego de surpresa pelas mudanças do mercado.
Aprofunde-se: Decrypt ↗
Coolors
Gerador de paletas de cores grátis e viciante: aperte a barra de espaço e ele cria combinações; trave as cores que você gostar e gere o resto em volta. É um jeito rápido de treinar o olho para harmonia de cores — a base de quase todo bom projeto visual. coolors.co ↗
A semana teve talentos em início de carreira nos holofotes, tipografia que abraça o erro e IA cada vez mais barata. O fio que liga tudo é o mesmo que a gente ensina: repertório e processo criativo valem mais que qualquer ferramenta da moda. É o que faz o seu trabalho ter cara própria.