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EC News #4 — 25 de setembro de 2026

A semana misturou pintura que parece sonho, zines feitos como remédio e uma corrida das gigantes de tecnologia para colocar inteligência artificial dentro do trabalho criativo. Boas-vindas à edição #4 do EC News: cinco recortes para você entender o que move a área agora — sem pressa e sem jargão solto.

01

Arte

Pintura de paisagem onírica de Sarah Lee
Arte

As paisagens que devolvem o olhar, de Sarah Lee

A pintora Sarah Lee cobre suas telas de ondas delicadas, fendas de gelo e relâmpagos difusos que parecem saídos de um sonho. É realismo mágico (quando o quadro é realista, mas algo impossível se acomoda ali sem alarde): céus que brilham, títulos como “Céu Esmeralda” e “Campo Vermelho na Névoa”. A ideia é virar do avesso a tradição romântica de retratar a natureza como cenário domesticado — aqui ela “reage”, nos lembra que não manda em tudo.

A individual Deeper fica em cartaz até 10 de outubro na galeria Albertz Benda, em Nova York, com telas que vão de 33 a impressionantes 178 centímetros de largura. Por que isso importa para quem começa: reparar em como a luz e a cor constroem clima é o primeiro músculo de qualquer pintor — e ele se treina olhando, muito, antes de pintar.

Estude na EscolaCasaSe atmosfera e temperatura de cor te fascinam, é aí que mora o curso de Composição Cromática ↗.

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Recorte de papel com animais da floresta, de Kanako Abe
Arte

Bichos da floresta recortados no papel por Kanako Abe

Lobos, cervos e coelhos surgem de portais cheios de folhagem nas obras de Kanako Abe. Ela trabalha com papercut (a arte de recortar o papel à mão para montar cenas em camadas), e cada corte é, nas palavras dela, “um passo deliberado para um mundo onde imaginação e realidade se misturam”. As histórias vêm da infância e do folclore, e a precisão das lâminas dá relevo e profundidade a colagens que parecem respirar.

Abe acaba de ilustrar The Paper Girl, livro juvenil que sai em 6 de outubro sobre uma menina que aprende a se defender dobrando papel, e já prepara exposições em galerias nos Estados Unidos para 2027. Por que isso importa para quem começa: técnicas “de baixa tecnologia”, como recortar e dobrar, ensinam paciência e composição — e mostram que uma boa ideia não depende de equipamento caro.

Estude na EscolaCasaPara desenhar esses bichos com estrutura antes de estilizar, comece por Anatomia Animal ↗.

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Escultura monumental de rosto por Jaume Plensa
Arte

Os rostos gigantes e silenciosos de Jaume Plensa

O escultor catalão Jaume Plensa está com duas mostras simultâneas na galeria GRAY, em Chicago e Nova York, abertas até 19 de dezembro. Em Chicago, dois relevos de madeira chamados “Julia” e “Maria” ocupam parede inteira — cerca de 8,5 metros de largura por 2 de altura — desenhando rostos de olhos fechados em ritmo geométrico. Ele também mostra a série “Clouds” (Nuvens), que junta ferro fundido a granito para criar uma sensação inesperada de leveza e suspensão.

O detalhe marcante são os olhos sempre cerrados: convidam quem observa a um encontro íntimo e introspectivo, apesar da escala colossal. Por que isso importa para quem cresce na área: escultura pública ensina a pensar em escala, material e no corpo de quem passa — habilidades cada vez mais pedidas em projetos de espaço e experiência.

Estude na EscolaCasaRostos e figuras em qualquer suporte pedem base sólida — ela está em Anatomia Humana ↗.

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02

Criatividade

Página do zine Intrusive Thots, de Bea Korsch
Criatividade

Um zine feito durante o tratamento, por Bea Korsch

A artista Bea Korsch, de Brooklyn, criou o quadrinho experimental Intrusive Thots ao longo de um ano em tratamento intensivo para transtornos de personalidade. O zine (publicação independente, geralmente artesanal e de tiragem pequena) reúne desenhos, trechos de diário, mensagens de celular e recortes, tudo digitalizado e remontado no Illustrator e no Photoshop com tipografias próprias. O resultado é preto no branco, de alto contraste, com a energia crua das publicações punk.

O detalhe que fica: depois de desenhar as páginas que encaravam pensamentos violentos e autolesão, ela conta que “não voltou a se machucar”. Por que isso importa para quem começa: criar pode ser processo, não só produto — e um projeto pessoal honesto costuma ser o trabalho mais forte de um portfólio iniciante.

Estude na EscolaCasaTransformar vivência em obra é justamente o terreno do Processo Criativo ↗.

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Cena do filme The History of Concrete, de John Wilson
Criatividade

Se perder no caminho, com o cineasta John Wilson

Conhecido pela série How to with John Wilson, da HBO, que acha beleza e humor em coisas banais, o cineasta estreia seu primeiro longa: The History of Concrete, uma investigação sobre o concreto — o segundo material mais usado do planeta. O método dele é peculiar: filmar a rua todo dia, montar um arquivo enorme de imagens e cruzar cenas dramáticas com narração contida, gerando um efeito irônico e afetuoso.

“É estranhamente muito útil se perder pelo caminho quando você está gerando ideias”, diz Wilson. Por que isso importa para quem começa: registrar sem roteiro fechado e deixar o acaso entrar é um exercício barato e poderoso para desenvolver olhar — e vale para vídeo, fotografia ou qualquer linguagem visual.

Estude na EscolaCasaQuer filmar, montar e contar histórias em vídeo? Esse é o mundo do Video Maker ↗.

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Livros de receitas criativos e inclusivos
Criatividade

Livros de receita que repensam quem pode cozinhar

Um artigo do It’s Nice That defende que a cultura gastronômica costuma excluir pessoas com deficiência ou doenças crônicas — e que livros de receita criativos podem mudar isso. Ele destaca Depression Cooking, de Sonali Menezes, que mistura memórias, receitas e quadrinhos secos contra a “cultura da dieta”, e misery meals, um “anti-livro” espiral de 250 páginas que brilha no escuro, feito por pessoas trans e não brancas.

O achado mais bonito: misery meals usa a “teoria das colheres” (uma forma de medir energia limitada, de 0 a 5 “colheres”) para classificar cada receita pelo esforço, reduzindo utensílios e louça. Por que isso importa para quem cresce na área: design editorial com propósito — pensar quem lê e como — é o que separa um livro bonito de um livro que realmente serve às pessoas.

Estude na EscolaCasaDiagramar publicações que acolhem o leitor se aprende em Composição Gráfica ↗.

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03

Design

Projetos selecionados no Dezeen Awards 2026
Design

Os 128 finalistas de design do Dezeen Awards 2026

O Dezeen, uma das maiores publicações de arquitetura e design do mundo, anunciou a shortlist (lista de finalistas) de design de 2026: 128 projetos em 16 categorias, de móveis e iluminação a têxteis e design sustentável. Entre os destaques estão um sistema modular de “bolas fofas” estofadas, do estúdio Golem, um pavilhão revestido de terrazzo feito com conchas de ostra e um sofá desenhado para imitar um abraço quente, da dupla Pearson Lloyd.

O júri reúne nomes como Zandra Rhodes e Michael Anastassiades, e os vencedores saem em 16 de novembro, no Royal Opera House, em Londres. Por que isso importa para quem começa: acompanhar prêmios assim é um jeito gratuito de mapear tendências, entender o que a área valoriza e montar referências para o próprio trabalho.

Estude na EscolaCasaMóveis, luz e ambientes premiados conversam direto com o curso de Design de Interiores ↗.

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Identidade visual do café infantil Canica, por Mestiza Estudio
Design

Uma marca que fala com criança e adulto ao mesmo tempo

O Mestiza Estudio criou a identidade do Canica, um café na Cidade do México com espaço de brincar para crianças e comida para adultos. O desafio era falar “com crianças sem ser infantilizado e com adultos sem parecer só para pais”. A solução: um logo de geometria construtivista (letras montadas com formas simples, como blocos de brinquedo) somado a bichos desenhados à mão pela ilustradora Francesca Albergo, criando um contraste entre o rígido e o fluido.

O estúdio conta que testou o logo “como se estivesse na própria sala de brincar”, explorando variações até achar sentido na forma. Por que isso importa para quem começa: branding (o conjunto que dá identidade a uma marca) é resolver tensões — dois públicos, um sistema só — e não apenas desenhar um símbolo bonito.

Estude na EscolaCasaConstruir sistemas de marca coerentes é o coração do Design de Marcas ↗.

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Identidade em movimento do DeafCity Hub, por Templo
Design

Uma marca que nasce das mãos, do estúdio Templo

O estúdio Templo criou a identidade do DeafCity Hub, um espaço cultural voltado à comunidade surda. A marca usa creative coding (programação usada como ferramenta de criação visual) e captura de movimento para transformar gestos da língua de sinais britânica em elementos gráficos. O logo é flexível: capta o movimento real das mãos, com uma tipografia modular em “bolhas” que representam as pontas dos dedos — dez letras para dez dedos.

Quando o logo faz o gesto de acenar, o calor do movimento humano é imediato e acolhedor, em rosa e laranja vibrantes. Por que isso importa para quem cresce na área: identidades que se movem e respondem ao mundo real são uma fronteira quente do design — e mostram como código e sensibilidade podem andar juntos.

Estude na EscolaCasaPensar marca, movimento e conceito de ponta a ponta é papel da Direção de Arte ↗.

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04

Comunicação

Estudo sobre confiança em IA no jornalismo local
Comunicação

O público desconfia de IA no jornalismo, diz estudo

Uma pesquisa da Northwestern (a iniciativa Medill Local News) ouviu 1.223 adultos da região de Chicago e encontrou grande desconforto com o uso de inteligência artificial no jornalismo. Pouca gente aceita IA para escrever matérias, decidir o que é notícia ou gerar imagens e vídeos; só cerca de metade aprova IA para corrigir gramática. “Os respondentes mostraram clara desconfiança da IA no processo de apuração”, resumem os autores.

O estudo também aponta queda no apoio a assinaturas de jornal local (de 19% para 14% desde 2024). Por que isso importa para quem começa na comunicação: confiança é a moeda da área. Saber onde a automação ajuda (revisão) e onde ela corrói credibilidade (apuração) é uma competência valiosa em qualquer redação ou marca.

Estude na EscolaCasaComunicar com clareza e responsabilidade é a base de Marketing e Comunicação ↗.

Aprofunde-se: Nieman Lab ↗

Santos com uniforme Adidas nos anos 80
Comunicação

A Adidas volta a vestir o Santos em 2028

A Adidas será a nova fornecedora de material esportivo do Santos a partir de 2028 — a terceira vez que a marca alemã se une ao clube. O contrato atual, com a Umbro, vai até o fim de 2027, e o reencontro acontece quase 40 anos depois de a Adidas ter vestido o time nas décadas de 1980 e 1990. Com o acordo, o Santos entra no seleto portfólio de futebol da marca, ao lado de Real Madrid, Liverpool, Manchester United e Bayern.

O anúncio mistura nostalgia e estratégia: relançar uma parceria histórica ativa memória afetiva e rende conteúdo por meses. Por que isso importa para quem começa: patrocínio esportivo é comunicação pura — camisa, redes sociais e ativações contam uma história de marca para milhões de torcedores.

Estude na EscolaCasaMarcas assim vivem do dia a dia nas redes — terreno de Social Media ↗.

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NFL Rio Game 2026 e a Game Day Experience no Maracanã
Comunicação

A NFL leva sua experiência de jogo ao Maracanã

NFL, SporTV, GE TV e TV Globo se uniram para o “NFL Rio Game 2026”, entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens, em 27 de setembro no Maracanã — o terceiro jogo da liga no Brasil. Na área externa do estádio, a “Game Day Experience” traz ativações interativas: desafios de arremesso, mira em alvos, disputas de pontuação com prêmios e fotos com capacetes dos times. O show do intervalo terá DJ Pedro Sampaio e Ricky Martin.

É marketing de experiência (quando a marca vira algo que o público vive, e não só assiste) transformando um jogo em evento cultural. Por que isso importa para quem começa: pensar ativações — o que a pessoa faz, sente e fotografa no local — é uma habilidade cada vez mais pedida em eventos e redes.

Estude na EscolaCasaCriar conteúdo que nasce de eventos como esse se aprende em Produção de Conteúdo ↗.

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Tecnologia

Meta Muse Charm, dispositivo de IA com avatar
Tecnologia

O bichinho de IA da Meta que cabe na mão

A Meta apresentou o Muse Charm, um aparelhinho portátil de inteligência artificial desenhado pela equipe de Alan Dye, ex-chefe de design da Apple. Numa tela de cinco centímetros aparece um avatar personalizável — as opções incluem um personagem chamado “Jolly”, uma manga com braços e pernas e um cachorro labradoodle — que dá cara ao assistente de IA da empresa. O dispositivo tem sensor de digital, câmera e conexão 5G, e deve chegar às lojas antes do Natal.

A referência é clara: os bichinhos virtuais tipo Tamagotchi, mirando um público jovem já acostumado a “companhia” digital. Por que isso importa para quem cria: por trás de cada produto de IA há decisões de personagem, ilustração e interação — trabalho criativo que ganha espaço no mercado.

Estude na EscolaCasaDar personalidade a avatares e mascotes é exatamente o que ensina o Design de Personagens ↗.

Aprofunde-se: Dezeen ↗

Ferramenta de edição de vídeo por conversa do YouTube
Tecnologia

Editar vídeo conversando: a nova aposta do YouTube

O YouTube anunciou uma ferramenta de edição em que o criador conversa com uma IA para montar o vídeo. Num chat, dá para pedir coisas como “escolha as melhores tomadas”, “coloque uma música” ou “adicione transições”, sem perder o controle: tudo pode ser ajustado à mão na linha do tempo. A ferramenta também insere legendas, remove pausas na fala e sugere cortes. A youtuber Happy Kelli, que testou, disse que a edição “vira literalmente uma conversa” com um ajudante.

O recurso chega ao YouTube Shorts e ao app Create no início de 2027, junto de testes A/B e dublagem ao vivo. Por que isso importa para quem começa: a IA agiliza a parte técnica, mas as decisões de ritmo, corte e narrativa continuam humanas — e é isso que faz um vídeo prender.

Estude na EscolaCasaPara dominar o corte e o ritmo que a IA ainda não decide por você, veja o workshop de Premiere ↗.

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Editorial da Colossal sobre arte feita por humanos
Tecnologia

“Arte por humanos, para humanos”: a resposta da Colossal

Em um editorial, Grace Ebert, diretora da revista de arte Colossal, argumenta que a inteligência artificial ameaça não só o sustento dos artistas, mas algo maior: “a arte é unicamente humana” e essencial para cultivar empatia. Delegar a criação a algoritmos, escreve ela, seria perder parte do que nos torna gente. A publicação assume um compromisso: seguir 100% humana, com cada escolha editorial feita pela equipe de quatro pessoas, sem automação.

Para se manter de pé, a Colossal quer dobrar o apoio de assinantes, de menos de 0,5% para 1% dos leitores. Por que isso importa para quem começa: no meio do hype de IA, cresce o valor do trabalho autoral e humano — saber defender e nomear esse valor pode ser um diferencial de carreira.

Estude na EscolaCasaEntender a tecnologia para usá-la a favor da criação é o foco de Tecnologia e Inovação ↗.

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Enquanto as gigantes de tecnologia correm para automatizar a criação, o que continua raro é o olhar humano — a decisão de ritmo, cor, forma e sentido. É esse olhar que a gente treina aqui, curso a curso, para você usar qualquer ferramenta sem virar refém dela.

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EC News · Edição #4 · 25 de setembro de 2026 · Um apanhado semanal da EscolaCasa sobre arte, criatividade, design, comunicação e tecnologia.