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EC News #9 — 30 de outubro de 2026

Boas-vindas à edição #9 do EC News. A semana foi de identidade e de perguntas: marcas feitas de som, perfumes que viram cartas, escudos de futebol em disputa — e a IA entrando de vez no estúdio. Reunimos 15 histórias contadas por inteiro aqui mesmo, para você entender o que rolou sem precisar clicar em nada e sair com ideias para o próprio trabalho.

01

Arte

Pintura de Madeline Rupard de uma paisagem do oeste americano
Arte

Um Subaru velho virou ateliê de pintura

A pintora Madeline Rupard, de Utah (EUA), transformou um carro antigo — um Subaru Forester 2002 — em ateliê sobre rodas. Ela o comprou em Nova York durante a pandemia, e ele virou companhia em viagens solitárias pelo oeste americano. Pela janela, Rupard pinta postos de gasolina acesos, estacionamentos no fim da tarde e cadeias de montanhas que ela mesma compara ao visual do videogame Skyrim. O conjunto virou exposição individual no Utah Museum of Contemporary Art, batizada justamente de 2002 Subaru Forester.

Ela resume seu interesse como “os subúrbios e o sublime, o milagroso e o mundano” — achar beleza no comum. Alguns trabalhos chegam a virar quadrinhos. Para quem começa na arte, é um lembrete valioso: não é preciso cenário grandioso nem equipamento caro, basta um olhar atento e constância. O assunto está na esquina; o resto é repertório e horas de prática.

Estude na EscolaCasaEsse olhar que acha imagem no dia a dia é o que você treina no Processo Criativo ↗.

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Placa de Petri com colônia de mofo usada como capa de faixa
Arte

100 faixas, 100 colônias de mofo como capa

A banda norte-irlandesa Robocobra Quartet lançou Hundred Pieces, um álbum com 100 faixas — e deu a cada uma uma capa única: uma placa de Petri com uma colônia de mofo diferente. Inspirados na dedicação da artista Marina Abramović ao próprio trabalho, os músicos cultivaram as culturas em casa, fervendo ágar (uma gelatina feita de alga) com extrato de malte e depois semeando fungos tirados de madeira podre, tijolo, queijo e carne.

Cada placa foi fotografada em etapas diferentes de crescimento, com câmera fixa e luz controlada, quase sem edição. O guitarrista ainda programou o site da banda para o mofo “crescer” digitalmente de forma aleatória. Para quem cresce na área, o caso mostra o poder de um conceito forte: uma ideia simples e coerente organiza música, imagem e web numa identidade só. Conceito é o que dá unidade ao trabalho.

Estude na EscolaCasaAmarrar conceito, imagem e identidade num sistema só é o foco da Direção de Arte ↗.

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Foto antiga feita por uma criança, do livro Whippersnappers
Arte

Um livro reúne um século de fotos feitas por crianças

A professora Annebella Pollen, da Universidade de Brighton, lançou Whippersnappers: How Children Became Photographers (editora Four Corners Books), que traça a fotografia feita por crianças do fim do século 19 à era digital. Tudo começou quando a Kodak passou a vender sua câmera Box Brownie diretamente ao público jovem, por volta de 1900. Boa parte do material vem da coleção pessoal de Pollen, garimpada barato em brechós e leilões de mudança.

Num estudo da Kodak de 1999, crianças de 7, 11 e 15 anos ganharam câmeras descartáveis e fotografaram amigos fazendo “V” com os dedos e cães de óculos escuros e chapéu. Pollen defende que fotografar é “um comportamento aprendido” e merece ser levado a sério. Para quem começa, é um empurrão: o olhar fotográfico se desenvolve com prática, não com idade nem com câmera cara.

Estude na EscolaCasaDesenvolver o olhar fotográfico, com ou sem câmera cara, é a proposta da Fotografia ↗.

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02

Criatividade

Cartaz colorido e colado de Bráulio Amado
Criatividade

O caos organizado de Bráulio Amado

O designer português Bráulio Amado, hoje em Nova York, virou referência por um estilo colorido, colado e cheio de “acidentes” propositais — feito de fita, papel rasgado e objetos achados na rua. Ele começou na Pentagram, descobriu que grades rígidas não eram para ele, passou pela revista Bloomberg Businessweek com Richard Turley e então abriu o próprio estúdio. Entre os clientes estão a casa noturna Good Room, para quem fez centenas de cartazes, e artistas como Harry Styles.

Amado diz preferir resolver a ideia antes de escolher o estilo — um cartaz chegou a nascer da foto de um guardanapo que ele viu na calçada. Para quem começa, a lição é libertadora: repertório pessoal e experimentação valem mais que “regras” decoradas, e o erro vira material de trabalho. Mas repare que, por trás da bagunça, há muita técnica e decisões conscientes de composição (como organizar os elementos na página).

Estude na EscolaCasaPor trás do “caos” há decisões de composição — exatamente o que se estuda em Composição Gráfica ↗.

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Cartaz do Estudio Cru com tipografia esticada em linhas verticais
Criatividade

Um estúdio carioca que prefere perguntas a respostas

O Estudio Cru, do Rio de Janeiro, é tocado por Bernardo Winitskowski e Maria Alice Leal e trabalha com exposições, livros e marcas. O lema aparece numa frase de Winitskowski: eles confiam mais “no poder das perguntas do que na certeza das respostas”. Na prática, isso é um design que responde de perto a cada briefing (o resumo do pedido do cliente) e ainda provoca reflexão, em vez de entregar conclusões prontas.

No cartaz “Our Second Skin”, feito para a Bienal de Arquitetura de Chicago, o vidro vira “segunda pele” das cidades: as palavras são construídas em linhas verticais finas, com uma tipografia esticada, como se o texto fizesse parte do próprio padrão de vidro. Para quem cresce na área, o recado é que conceito e execução andam juntos — e que trabalho autoral brasileiro ganha espaço internacional. Ideia clara primeiro; forma depois.

Estude na EscolaCasaTransformar um conceito num sistema visual consistente é o foco do Guia de Estilos ↗.

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Criatividade

Do “lixo” à placa pintada à mão

O artista e ilustrador Bill Rebholz foi um dos nomes do Nicer Tuesdays LA, série de palestras do It’s Nice That. Seu trabalho nasce da street art e da pintura de letreiros (letras feitas à mão, como as placas antigas de comércio). Ele constrói um mundo visual solto, que foge da composição convencional, e diz que a sinalização urbana molda tanto a técnica quanto a montagem das peças.

A ideia central é simples e teimosa: materiais descartados ganham valor quando são ampliados e apresentados como arte. O que a maioria ignora na rua, ele enquadra e devolve como obra. Para quem começa, é um convite a olhar o entorno como fonte de projeto — e a lembrar que letra desenhada à mão é desenho antes de ser design. Dominar o traço abre portas para o lettering e a ilustração.

Estude na EscolaCasaTudo começa pelo traço à mão — a base trabalhada no Desenho Básico ↗.

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03

Design

Sistema tipográfico da A2 Type para o museu Louisiana
Design

Quatro fontes sob medida para um museu dinamarquês

A fundição de tipos (estúdio que desenha fontes) A2 Type, de Londres, criou um sistema tipográfico para o Louisiana Museum of Modern Art, na Dinamarca. O que começou como um pedido de uma fonte com serifa (aqueles pequenos “pezinhos” nas pontas das letras) para a revista do museu virou quatro famílias: Louisiana Grotesk, Mono, Antikva e Plakat, cada uma em vários pesos.

O desenho se inspira na arquitetura modernista dinamarquesa do museu e em seu arquivo impresso, onde a equipe reencontrou clássicas como Helvetica e Univers. As fontes foram testadas no próprio local, em vários tamanhos e superfícies, e ganharam ainda 80 pictogramas (pequenos símbolos de orientação) combinando com as letras. Para quem cresce na área, é um retrato de como tipografia séria resolve problemas reais de identidade e sinalização — não é só “escolher uma fonte bonita”.

Estude na EscolaCasaEntender como a letra resolve identidade e leitura é o tema da Tipografia ↗.

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Embalagem do perfume Aplomb com selo e lacre dourado
Design

Um perfume embalado como carta escrita à mão

O Studio Lotta Nieminen, de Nova York, assinou a identidade da marca escandinava de perfumes Aplomb. Cada fragrância é inspirada numa pessoa real, então o estúdio tratou cada perfume como uma carta escrita para alguém. As embalagens trazem um selo postal ilustrado dentro de uma moldura em baixo-relevo (relevo rebaixado, afundado no papel), e um dos lados tem um picote perfurado, como um envelope.

O lacre de cera foi tirado da caixa — “parecia óbvio demais” — e reaparece na tampa do frasco, com um acabamento dourado esculpido como cera escorrendo pelo gargalo prateado. A tipografia combina a serifada Edict com a monoespaçada Yorik, que lembra máquina de escrever. Para quem começa, a embalagem mostra como contar uma história coerente faz uma marca parecer cara e desejável: o conceito guia cada escolha de material, cor e tipo.

Estude na EscolaCasaFazer o conceito guiar cada escolha de tipo, cor e material é o dia a dia do Design Gráfico ↗.

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Identidade do Bar Rêve em vermelho e azul
Design

Uma identidade de bar inteira em dois tons

O estúdio londrino DutchScot criou a marca do Bar Rêve, novo bar de coquetéis no Brooklyn (Nova York). “Rêve” é “sonho” em francês, e o tema guia tudo: o logotipo nasce da caligrafia, mas parece esticar e se dissolver pelas peças, o número da rua vira “Zzz’s” e o site pede que você “flutue” para cima em vez de rolar para baixo.

A paleta se limita a dois tons — vermelho profundo e azul claro — referência às cores do pintor Joan Miró. Ilustrações de um cordeiro, um cisne e um touro (animais recorrentes em sonhos) aparecem com parcimônia, como um “easter egg”. Para quem começa, é uma aula de contenção: duas cores bem escolhidas e um conceito firme bastam para uma identidade memorável. Saber o que a cor comunica importa mais do que usar muitas.

Estude na EscolaCasaEscolher poucas cores com intenção é o que você aprende na Teoria das Cores ↗.

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04

Comunicação

Nova identidade visual da Apple Music feita a partir de som
Comunicação

A Apple Music refez sua marca a partir do som

A Apple Music apresentou uma nova identidade criada pela agência TBWA\Media Arts Lab, com uma ideia central: “devolver a música” à cara do serviço. Em vez de desenhar formas no computador, o estúdio Optical Arts usou óleo sobre máquinas construídas sob medida, comandadas por um software que transformava notas musicais em ondas — ou seja, a imagem é feita de som de verdade. Foram cerca de 8 a 10 semanas só de pesquisa e testes.

A identidade ficou quase toda em preto e branco (no lugar do antigo vermelho-rosado), com a cor vindo do efeito de prisma do óleo. O músico Fred Again ajudou a criar o “som da marca” a partir de poucas notas, e a animação final junta mais de cem quadros filmados um a um. Para quem cresce na área, é um exemplo claro de marca como sistema — som, cor, tipo e movimento contando a mesma história.

Estude na EscolaCasaPensar a marca como sistema — e não como um logo solto — é o foco do Design de Marcas ↗.

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Montagem sobre escudos de clubes de futebol e rebranding
Comunicação

Quando o branding tira a alma dos escudos de futebol

Num artigo de opinião no It’s Nice That, o diretor de arte e torcedor do Newcastle, Will Knight, argumenta que a lógica corporativa está apagando a personalidade dos clubes de futebol. Ele cita a reforma do escudo do Newcastle, que “limpou” o brasão e trocou a gralha por um carimbo de castelo — os torcedores apelidaram o resultado de “TemuCastle”. Lembra ainda o rebranding abandonado do Everton e o do Atlético de Madri, barrado pelo coro “¡El escudo no se toca!”.

Como contraexemplos, Knight aponta o Ajax, que voltou ao escudo histórico, e o Fulham, com tipografia tirada das imperfeições do estádio Craven Cottage. O detalhe mais tocante: ele amava o brasão antigo justamente porque era difícil de desenhar quando criança. Para quem trabalha com marca, fica o alerta — simplificar demais pode esvaziar o sentido. Identidade também é memória afetiva, não só geometria limpa.

Estude na EscolaCasaEquilibrar identidade, memória e estratégia é parte do Marketing e Comunicação ↗.

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Comunicação

Por que ideias novas mantêm uma marca relevante

No Nicer Tuesdays LA, o diretor de design Will Geddes e a produtora executiva Helena Corzan, da agência The New Company, falaram sobre o que mantém uma marca relevante: a busca constante por ideias novas. Para eles, cada briefing é uma chance de sair da zona de conforto e tentar algo que ainda não foi feito. A pergunta que guia o estúdio, nas palavras deles, é “como encontramos um novo caminho?”.

Entre os exemplos citados estão o sistema de identidade da marca AG1 e trabalhos em andamento com Nike e EA Sports. A mensagem é direta: relevância não vem de repetir fórmulas, e sim de arriscar pontos de vista originais. Para quem começa ou cresce na área, vale internalizar isso cedo — repertório amplo e coragem de propor o inédito são o que diferencia um portfólio. Novidade bem fundamentada é estratégia, não enfeite.

Estude na EscolaCasaGerar e lapidar ideias originais é o que se exercita na Produção de Conteúdo ↗.

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05

Tecnologia

Exemplos de imagens geradas pelo modelo Canva Craft
Tecnologia

A Canva lançou seu primeiro modelo de imagem por IA

A Canva apresentou o Canva Craft, seu primeiro modelo próprio de geração de imagens por IA (inteligência artificial que cria figuras a partir de texto), para disputar com Google, OpenAI e Meta. Ele trabalha em duas etapas: primeiro planeja a imagem — definindo posição, escala e hierarquia dos elementos e do texto — e só depois gera, em até 2K de resolução e 30 proporções de tela diferentes.

O diferencial: a Canva diz ter treinado o modelo na própria biblioteca de modelos feitos por humanos (cartazes, posts, infográficos), e não em fotos, o que ajudaria a escrever texto legível e a editar sem bagunçar o resto da imagem. As figuras ainda podem virar camadas editáveis. Para quem começa, a leitura é prática: a IA acelera o rascunho, mas quem decide composição, hierarquia e sentido continua sendo você. Saber dirigir a ferramenta é o novo diferencial.

Estude na EscolaCasaAprender a dirigir ferramentas de IA sem perder o controle criativo é o foco dos Tecnologia e Inovação ↗.

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Imagem ligada ao projeto de vídeo por IA da Grok
Tecnologia

A IA da Grok lançou 7 minutos de uma “Odisseia”

A xAI, de Elon Musk, liberou os primeiros sete minutos de uma versão animada da Odisseia feita com IA, chamada de “Episódio 1”. O trecho foi produzido com a ferramenta Grok Imagine, em parceria com a Wonder Studios e o diretor Dev Walker, cerca de três meses depois de Musk prometer um longa “historicamente preciso”.

A recepção foi morna: o repórter da TechCrunch achou alguns planos surpreendentemente convincentes — mar e “atores” quase realistas — mas disse faltar arte, inspiração e interesse humano, além de diálogos duros e um narrador genérico. Ele comparou a assistir a uma cena de videogame que daria vontade de pular. Para quem cresce na área, fica um bom debate: a IA já resolve a parte técnica da imagem, mas direção, roteiro e emoção — o trabalho humano — seguem fazendo a diferença entre “impressionante” e “bom”.

Estude na EscolaCasaDireção, roteiro e montagem — o lado humano do vídeo — são o centro do Video Maker ↗.

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Tecnologia

Se a IA faz o que um arquiteto faz, definimos mal a profissão?

Num artigo de opinião na Dezeen, o arquiteto Piers Taylor levanta uma provocação que vale para toda a área criativa: se a IA consegue fazer boa parte do que achamos que é o trabalho de um arquiteto, talvez a gente tenha definido a profissão de forma estreita demais. A ideia é desconfortável, mas útil — ela separa a tarefa técnica (que a máquina automatiza) do que, de fato, só gente faz.

O argumento aponta para o que resiste à automação: julgamento, sentido, relação com as pessoas e com o lugar, a capacidade de fazer as perguntas certas. Para quem começa ou está em transição de carreira, a mensagem é animadora, não ameaçadora: vale investir nos fundamentos e no repertório que dão lastro a boas decisões. Ferramenta muda; pensamento de projeto permanece — e é isso que torna alguém insubstituível.

Estude na EscolaCasaFortalecer os fundamentos que a IA não substitui é a proposta do Design 360 ↗.

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Esta edição repete um tema: as ferramentas mudam depressa — IA, novos apps, novos modelos —, mas o que sustenta um bom trabalho continua sendo repertório, conceito, cor, tipografia e marca. É nisso que a gente foca por aqui: nos fundamentos que viajam com você de projeto em projeto.

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EC News · Edição #9 · 30 de outubro de 2026 · Um apanhado semanal da EscolaCasa sobre arte, criatividade, design, comunicação e tecnologia.

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