Qual a diferença entre Designer Gráfico e Diretor de Arte?

Agora você vai entender de uma vez por todas a diferença entre esses dois termos. E não o Diretor de Arte não gerencia projeto, e o Designer não é o cara que vai mexer só com Photoshop e Illustrator.

É normal confundirem o trabalho de um Diretor de Arte e de um Designer Gráfico. Mas antes precisamos mostrar pra você por que o Designer gráfico e diretor de arte são coisas diferentes, e por que eles não estão na mesma hierarquia. Mas vamos primeiro entender a origem do nome “Diretor de Arte”. 

Significado de Diretor de Arte

O termo surgiu em Hollywood, no final da década de 30, com o filme “E o vento levou”. Nesse filme teve um cara que foi creditado como o primeiro “Diretor de Arte” do cinema, o nome dele é William Cameron Menzies.


Nessa época, o Menzies atuava com uma função bem próxima do Diretor do filme e tinha grande participação em como o filme ia acontecer, como ele ia se parecer e ele foi o responsável por inserir a metodologia do storyboard nessa produção, um dos motivos que rendeu pra ele o título de diretor de arte.

Mas com o passar do tempo, Hollywood foi mudando, as produções foram evoluindo e ficando mais complexas. E agora, todas elas tinham o cargo de “diretor de arte”. O problema é que o papel que o Menzies desempenhou lá atrás, na década de 30, trocou de nome no meio de tudo isso. Passou a se chamar “Production Designer”, ou “Designer de Produção”.

A função é exatamente a mesma, ser o responsável técnico pela concepção da estética e aparência da produção e orientar o departamento de arte que surgiu nas décadas seguintes. E o nome original da função “Diretor de Arte”, foi passado pra uma função subordinada ao Production Designer, uma função mais prática do que teórica ou de gestão. Nesse ponto o “Diretor de Arte” passou a ser muito mais um profissional de ação do que de gerenciamento.

Aqui Começa Toda a Confusão

Esses termos “Production Designer” e “Art Director”, foram importados para o mercado brasileiro, e traduzidos aqui dentro, como eles já vieram trocados lá de fora.

Só pra ter um comparativo, Menzies que foi o primeiro “Art Director”, ganhou o título em 1939. Já no Brasil, a primeira vez que um “Diretor de Arte” brasileiro foi creditado aconteceu só em 1985, com Clóvis Bueno, no filme “O Beijo da Mulher Aranha”.

Apesar de ter o mesmo título creditado, o William Menzies e o Clóvis Bueno não foram creditados pela mesma função. Nesse meio tempo “Diretor de Arte” já significava outra coisa!

E isso gera uma confusão enorme hoje em dia, pois nunca um anúncio oficial do tipo “estamos mudando a função de diretor de arte”, esse processo foi natural e silencioso. Então quando esses termos entram no Brasil, não apenas no cinema, mas principalmente nas televisões, novelas, e atualmente em produções independentes agências de marketing, discernir e definir o que é o que faz um diretor de arte, fica em cima de uma linha tênue e confusa.

Mas afinal, onde entra Designer Gráfico nessa história?

Chega de cinema… vamos falar sobre Designer gráfico e onde ele atua, é muito comum a gente pensar em agências de Marketing e empresas voltadas pra publicidade e propaganda. Óbvio que ele não é limitado a esses lugares, mas a relação do Designer com o Diretor de Arte, normalmente é em ambientes assim.

A primeira diferença concreta entre o Designer Gráfico e o Diretor de Arte é que, enquanto o Designer possui uma formação específica e orientada para que ele consiga se tornar e fazer o que precisa, já o diretor de arte, por causa de tudo que a gente já falou, ficou meio “perdido” nesse contexto. O sistema de ensino, pelo menos no Brasil, no que diz respeito à Direção de Arte, não é tão conciso e elaborado, quando comparado, por exemplo, à formação em Design.

E essa falta de integração e orientação do ensino nos leva a outro grande problema: “O mercado não sabe como reagir a esse profissional e acaba agrupando funções diferentes no mesmo cargo.

O Designer, por exemplo, no pleno da sua função, é um profissional estratégico, de gestão e planejamento. Responsável por criar e conceber estratégias, dirigir e delegar funções para que um objetivo seja alcançado de acordo com um. Essa é a essência do designer, está no nome! “Design” literalmente significa “Planejar”!

Já o Diretor de Arte, em muitos dos casos, se torna um “aglomerado” de funções práticas e de execução, especialmente em ambientes como agências de publicidade e marketing. Ele utiliza das ferramentas e técnicas disponíveis, pra dar forma a uma ideia já estabelecida. É ele quem vai tirar a ideia do papel, sendo o responsável direto pela produção das peças publicitárias. Prestem bem atenção nessa palavra: “Produção”.

E o que é o “Diretor de Criação”? 

Lá no começo, quando eu contei a história do Menzies e de como o cargo que ele ocupava trocou de nome pra “Production Designer”, e que esse cargo é de alguém muito próximo do Diretor Geral de uma produção? Pois então o “Diretor de Criação”, dentro das agências de marketing e publicidade, é esse cara. O cara que cria, que planeja, que enxerga o quadro todo. Ele é o chefão final e quem dá a última palavra.

E aqui, de novo, nós entramos na questão da terminologia confusa e pouco clara. “Diretor de Criação”, “Diretor de Arte”, “Designer de Produção”, são cargos com nomes muito parecidos, que parecem ter a mesma função, quando na verdade não tem. Por isso, inclusive, é muito comum vermos pessoas dizendo que querem ser diretoras de arte para poder coordenar equipes, estar à frente de projetos criativos e idealizar peças publicitárias. Mas essas atribuições na verdade são do Diretor de Criação, não do Diretor de Arte.

E o Diretor de Criação, assim como o Diretor de Arte, não é um campo de estudo que possua uma formação técnica. Na verdade, o maior trunfo de um Diretor de Criação é a experiência. Muitos Diretores de Criação que atuam no mercado hoje em dia cresceram na carreira a partir do cargo de Diretor de Arte, ou então migraram de alguma área do Design. Assim como o Diretor de Arte acaba sendo um “acúmulo de funções”, eventualmente essas funções se tornam experiência. E essa experiência, somada a conhecimentos de gestão e comunicação abrem portas para um novo Diretor de Criação.

O Diretor de Criação, inclusive, é uma profissão que podemos fazer vários artigos para falar sobre, porque ela é muito importante na área criativa. 

E se você ainda acha que não, que é o diretor de arte que idealiza tudo, segue esse paralelo. Quando o cargo de diretor de arte surgiu, lá em 1930 com o Menzies, ele sim, era o cara que idealizava, o pensador. Mas esse mesmo cargo teve o nome alterado para “Designer de Produção”. O cargo ainda é o mesmo, porém com outro nome. E o título “Diretor de Arte” passou a ser de outro cargo, que já existia. Com uma função que envolve muito mais a prática do que a idealização. E é desse cargo que recebeu o título de diretor de arte que estamos falando. É esse cargo que vigora até hoje dentro das agências e da área criativa.

O Diretor de Criação é o idealizador, O Designer é quem delega e organiza o projeto, e o Diretor de Arte o executor.

É como se fossemos construir um prédio. O Diretor de Criação é o projetista, o arquiteto, é ele quem tem a visão do quadro todo. O Designer é o Mestre de Obra, é ele quem vai gerenciar os recursos e orientar a construção no canteiro de obras. E o Diretor de Arte é a equipe responsável por colocar o prédio de pé. No fim, não é como se um fosse necessariamente mais importante do que o outro, mas sim que eles estão em pontos diferentes do processo de criação.

Desperte o Diretor de Arte em Você

Você se vê como um criador de visuais, apaixonado por dar vida a conceitos e estéticas únicas? Venha explorar o mundo da Direção de Arte na Escola Casa e descubra como transformar ideias em realidade visual. No nosso curso de Direção de Arte, você mergulhará na essência da criação estética, aprendendo técnicas avançadas para conceber e executar projetos impactantes. Faça parte de uma jornada que combina arte, técnica e criatividade para moldar o futuro das produções visuais. Prepare-se para desafiar fronteiras e definir novos padrões na indústria criativa. Junte-se a nós e leve sua paixão pelo design a novos patamares!

Mas não podemos ignorar a realidade

No mundo perfeito, um Designer não faria o trabalho de um Diretor de Arte, e vice-versa. Não só por questão de capacitação, mas simplesmente por serem funções diferentes. Assim um Diretor de Criação não faria o trabalho de um Designer ou Diretor de Arte.

Mas a gente sabe que não é bem assim, e que o acúmulo de funções é algo real, seja pelo tamanho da empresa, seja pelo orçamento do projeto. Por isso é muito comum a gente ver, sim, profissionais com formação em Design, atuando como Diretores de Arte e o contrário também, por mais que os trabalhos exijam qualificações distintas.

O objetivo desse vídeo não foi dizer que uma profissão é mais importante do que a outra, como se o Designer fosse melhor do que o Diretor de Arte, como se o Diretor de Criação fosse melhor que ambos. Não existe isso. O que existe é um processo, que passa por diferentes mãos para ficar pronto, e cada mão é importante da sua própria maneira. Elas apenas estão em fases diferentes desse processo.

Em resumo um complementa o outro

Entender as diferenças entre Designer Gráfico, Diretor de Arte e Diretor de Criação é fundamental para quem deseja ingressar ou se aprofundar no mercado criativo. Esses papéis, embora interconectados, têm funções e responsabilidades distintas, essenciais para a execução de projetos bem-sucedidos.

O Designer Gráfico é o planejador estratégico, aquele que traduz conceitos e ideias em elementos visuais. O Diretor de Arte é o executor prático, responsável por dar vida a esses elementos e garantir que estejam alinhados com a visão do projeto. Já o Diretor de Criação é o visionário que guia a direção estética e conceitual, definindo o tom e a mensagem que serão transmitidos.

Em um cenário ideal, cada profissional desempenharia exclusivamente suas funções, garantindo a máxima eficiência e criatividade. No entanto, a realidade do mercado muitas vezes demanda flexibilidade, levando a uma sobreposição de funções. O mais importante é reconhecer o valor de cada papel e como eles se complementam no processo criativo, garantindo que cada fase do projeto receba a expertise necessária para alcançar resultados excepcionais.

Assim, ao invés de comparar a importância de cada função, devemos valorizar a colaboração entre esses profissionais. É essa sinergia que impulsiona a inovação e a excelência nas produções visuais, resultando em trabalhos que se destacam pela qualidade e criatividade.

Veja também no nosso youtube Escola Casa.

Agradecemos por acompanhar nosso conteúdo! Se tiver dúvidas ou sugestões, entre em contato conosco. Siga-nos no Instagram @escola_casa para mais novidades e confira nossos outros artigos clicando aqui.

Vlw, Flw 🤘🏼

Ao continuar você concorda com nossa  política de privacidade.